Sessenta versos,
Quando estamos juntos
Somos como clara e gémea,
Na nossa canoa
Tu guias, eu remea.
Sessenta minutos depois,
Jantei contigo meu love,
Comemos prego no prato,
E a cavalo um ove.
Depois peguei na consola,
Jogamos um jogue.
Sessenta rondas depois,
Fizemos uma pausa,
Até já era tempo
De comer a sobremausa,
Que nos tinha preparado
A tua tia Terausa.
Sessenta fatias depois,
Pesquei do rio um peixe.
Fomos ás batatas da marmita,
Fizemos um churrasco feixe.
A paisagem era bonita
Tal como a da praia de Peneixe.
Sessenta batatas depois,
Fomos pelo rio abaixo,
O rio era estreito
Parecia um riaixo.
Deu-nos outra vez a fome
Pegamos no outro taixo.
Sessenta garfadas depois,
Fomos para a consoada.
Pois o que comemos
Não chegou a quase nada.
Ouvimos de repente uns tiros
Parecíamos estarmos em Bagdada.
Sessenta tiros depois,
Fui para debaixo de um pinheiro.
Caiu um monte de avelãs
Meti-las num tamparueiro,
Enquanto las comíamos
Escuitou-se outro teiro.
Sessenta avelâs depois,
Deu-me uma diarreia,
Era uma pressão tão forte
Mas com as naurgas apertei-a.
Meti uma rolha,
Depois nunca mais saeia.
Sessenta suspiros depois,
Larguei uma bufa.
Pensas-te que era outro tiro,
Ficas-te cheia de miufa.
Começas-te a remar
Em direcção a Tenerufa.
Sessenta anos depois,
Continuo aqui encostado,
Com este pinheiro manso
Que eu muito tenho estrumado.
Já sabem como as mulheres são,
Tudo isto por causa de um peido.
(não rima mas o que conta é o sentimento)
Adeus meus amigos, Rabapum Octogenarafat